Eu tinha 17 anos.
Embarcamos rumo às Ilhas Gregas, a bordo de um navio chamado Orion.
Nome de constelação. E fazia jus ao encantamento das noites estreladas.
Anos depois, soube que o Orion precisou ser reconstruído após um incêndio.
Mas o fogo mais perigoso daquela viagem não começou na casa de máquinas.
Começou no convite para a “Noite do Capitão”.
Nossa comitiva era quase diplomática.
Família numerosa. Namorados. Amigos dos meus pais.
E uma animação que crescia com o balanço do mar.
Todos tiraram do armário o que havia de mais formal — ou o que pensávamos que fosse.
Eu vivia minha fase Caroline de Mônaco.
Sim, eu tinha essas fases na adolescência.
E lá, seria com um leve sotaque grego improvisado.
Passava os dias tentando aprender palavras locais.
A língua grega me encantou desde o primeiro instante.
Criei um look que, na minha cabeça, evocava a elegância helênica, com um “Q” da monaguesca.
Pedi à namorada do meu irmão, que era jeitosa com as mãos, e paciência infinita com adolescentes vaidosas — que me montasse um coque com franja à altura do evento.
O capitão nos esperava no convés.
Sedutor. Seguro. Um estilo “latin lover”.
Fomos conduzidos à sua mesa.
E ele passou a noite inteira claramente fascinado por minha mãe.
Meu padrasto, entre um gole forçado de vinho e uma frase lançada ao vento, dizia que aquilo era paquera escancarada.
Afinal, o capitão já a havia tirado para dançar mais de uma vez.
Minha mãe respondeu com a naturalidade que só ela tinha:
— Ora, Rael… ele foi gentil.
E, convenhamos, não se recusa uma dança ao capitão.
Disse isso com sua marca registrada:
o largo sorriso.
A malícia mansa.
E uma resposta sempre indefinida, como ponto final.
Ficamos até o último acorde da orquestra.
Já sonhando com os pijamas.
Torcendo para que aquela fosse a última ceia.
Mas quem teria coragem de contrariar a capitã?
Órion também era o nome de um caçador na mitologia grega.
Mas, naquela noite, quem foi caçado, com elegância e sorriso largo, foi ele.









